terça-feira, 14 de agosto de 2012

Café frio.




Um café frio em cima da mesa...

Um sentimento requentado no coração...
Alimento-me de sobras, resquícios de memórias, de sentimentos...
Caminho de um lado para o outro...
Pensando, sempre pensando...
Não existem mais guardanapos limpos nesta casa, ora bolas não existem mais guardanapos limpos...
Já não sei o que faço, se cozinho algo novo 
ou requento amor de novo...
Acho melhor eu sair para jantar fora...
Pois não cozinho e nem requento...
Só espero me servirem o que já está pronto.
O café continua frio em cima da mesa...
Pego um casaco o guarda chuvas e saio de casa...
Vou para o restaurante.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Soluços, ebriedade e frio.



O meu coração...
Grita desesperado todas as noites por liberdade
Ora sussurra...
Ora murmura...
Não me deixe aqui tão só...
Trancado em um lugar onde só existe frio...
Seu peito não abriga mais calor... nem mesmo para si...
Meu coração mendiga calor...
Qualquer migalha de amor... até mesmo requentado...
À noite eu não suporto seus gritos...
Embriago-o com conhaque para ver se o distraio...
Já ébrio ele se acalma e descansa...
Soluça lamentações
Eu o mando se calar...
Mas como o fazer calar...
Se eu também preciso de calor...
O inverno é rigoroso e a brisa invade meu quarto pelas frestas da janela...
Está tão frio que mal consigo dormir...
Você sente frio também?

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Café com conhaque.



Nada mais que um maço de cigarros em cima da mesa, um café com conhaque em uma xícara quebrada e um pouco de lamentações sobre o papel...
Assim vejo minhas noites sendo transformadas em delírios...
Os delírios do cotidiano...
Garrafas quebradas no canto do bar, algumas garotas dançam friccionado seus corpos cobertos pelo manto da sensualidade...
Eu observo isso pela minha janela todos os fins de semana...
Já não sinto mais tesão... não, eu ainda sinto tesão pelas garotas se esfregando, mas não sinto tesão por sair deste quarto...
Noites a fio enlouquecendo dentre quatro paredes...
Sem vontade alguma de sair para ver o mundo lá fora...
Sem esperança alguma de que algum dia as pessoas valham a pena.

Inadequável.



Não chores
Não te mostre fraco assim
Morda os beiços e segure n’alma
Não deixe seus olhos o trair transbordando em sentimentos
Fique firme...
Aja como um ser humano moderno...
Não sinta.
Não apaixone-se, é proibido...
No mundo moderno tudo é proibido...
O que vem d’alma é proibido.
E quem foi que fez isso?
Quem proibiu?
Ora bolas, nós mesmos...
É mais fácil viver assim, mais suportável talvez...
Olhamos em linha reta...
Acaso olhares para o lado será tido como uma aberração...
Se não segues o padrão logo serás mal tratado...

O pássaro e o relojoeiro.



Vejo um pássaro pela janela, enquanto lubrifico pequenas engrenagens de pequenos relógios...
Um pássaro que me deixa tão triste...
Ele está sempre lá, fora da minha janela...
Enquanto lubrifico pequenas engrenagens de pequenos relógios para suas máquinas não pararem, ele está ali...
Tentando mostrar-me algo...
Já o tentei espantar, mas de nada adiantou...
Já atirei pedras, gritei: Saia daqui, não vês que assim não consigo concentrar-me em meu trabalho...
 Mas ele se mantém ali, fora da minha janela...
Às vezes parece que ele quer entrar para brincar...
Mas eu nunca abro a janela...
Às vezes quando acordo penso que foi tudo um sonho, então quando chego a minha oficina e abro as persianas lá está ele...
Novamente fico triste...
Eu sinto um pouco de mim naquele pássaro...
Seria solitário se ele não aparecesse...
Mas mesmo assim fico triste...
Tento expulsar-lo sempre...
Pois possuo certa inveja, sim inveja...
Ele me faz lembrar que sou homem que conserta máquinas, portanto também sou máquina...
Ele me faz querer sair correndo de minha pequena oficina, me atirar de um penhasco, abrir as asas e planar... sentir o vento em minhas orelhas...
Fecho  os olhos e fico imaginando por alguns instantes...
Rapidamente volto a mim e grito: Saia daí, não vês que me atrapalha, assim não consigo concentrar-me em meu trabalho...   

terça-feira, 12 de junho de 2012

Pura asneira.




Não me venham com lenga-lengas...
Querem-me o contrario do que sou...
E sou o contrario do que querem contrariando contradições...
A contrariar seu cotidiano...
Querem-me morto...
Querem-me surdo...
Querem-me mudo...
Querem-me cego...
Querem-me racional...
Para o inferno com o que querem de mim,
 a única coisa que terão de mim é a mais completa insanidade...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um cigarro




Espero enquanto fumo um cigarro
Eu sei sempre foi assim
Corra se não for capaz de ser feliz
Você sempre escondida atrás de espelhos tentando fingir ser eu
Eu sei, eu sempre espero...
Espero enquanto fumo um cigarro
Espero fingindo não saber que tu estás ali. 




Achava que era impar...
Hoje descubro que sou par...
Se não em sentimento que ao menos seja em pensamento... 


quinta-feira, 8 de março de 2012

In memoriam.


Um homem um dia me ensinou...
Que não é preciso diferir palavra alguma para demonstrar amor.
Descanse em paz Vô...






Uma homenagem ao Senhor: Amaro Pereira Cougo.

terça-feira, 6 de março de 2012

Entre dentes e lábios.


Já te imaginei entre dentes e lábios
Já te desejei somente em carne...
Desnuda e acida
Agressiva e voraz
Mordo os beiços ao pensar...
A cada segundo um delírio
Um amor, um descaso...
Um acaso, um afago...
Já te imaginei assim, entre dentes e lábios
Teus dentes, meus lábios...
Teus lábios... em fervor...